Membro fundador do Conselho Europeu dos Sindicatos de Polícia

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 04 de fevereiro de 2018

Na PJ condenamos qualquer tipo de fuga de informação.

O Segredo é tão antigo quanto o início da humanidade e das sociedades. Sempre existiu e sempre se manifestou num registo dual entre os seus benefícios e os seus prejuízos.

Nenhum Estado subsistiu e prosperou na História sem recorrer ao Segredo – o mesmo a quem a voz do povo, de forma genérica, determinou como sendo ‘a alma do negócio’.

Na Justiça, o Segredo, assente no sólido princípio da necessidade de saber, é fundamental para a persecução, no caso da Investigação Criminal na PJ, da descoberta da verdade, e acima de tudo, pela segurança dos investigadores e dos suspeitos ou arguidos no processo.

Condenamos qualquer tipo de fuga de informação de investigações criminais, porque quem tem responsabilidades operacionais sabe que um trabalho de meses ou anos pode ser destruído em segundos. Essa destruição é ainda mais lesiva quando se fala da vida e da reputação das pessoas, que até serem condenadas têm direito à presunção de inocência.

Vivemos num insólito mediatismo, que ultrapassou os limites do razoável, tornando-se muitas vezes uma entropia à investigação criminal.

Ultrapassados os limites, quem de direito que pugne por repor esta (des)ordem e puna exemplarmente quem se dedique a corromper os princípios do Segredo de Justiça.

 

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