Membro fundador do Conselho Europeu dos Sindicatos de Polícia

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Diário de Notícias, 14 de abril de 2018

PJ tem necessidade extrema de meios

Qual a mensagem mais importante que a ASFIC quer passar nas entrelinhas deste congresso?

A necessidade extrema que a PJ tem de meios humanos e materiais. Para garantir a segurança em Portugal, temos de recorrer a muito sacrifício das pessoas. Com mais recursos e esse sacrifício, o rendimento seria muito maior.

Mas, ainda assim, a PJ tem contribuído para a diminuição do crime violento. Como é que mais meios fazia a diferença?

Faz a diferença na intervenção primária, na primeira resposta, asseguradas também pela ajuda da PSP e da GNR na vertente preventiva. Há uma dinâmica de prevenção, de tratamento de análise e de identificação de focos de problemas que podiam ser mais bem concretizados. De forma mais rápida e mais eficaz.

O terrorismo é tema-tabu na PJ em termos de comunicação. Não há comentários. A escolha deste tema é um desafio a esse silêncio?

É um desafio a esse silêncio e uma forma de poder dizer ao cidadão comum que a PJ pode não aparecer no mediatismo mas está a trabalhar e muito. O terrorismo não pode ser investigado no mediatismo porque os seus operacionais aproveitam toda a informação que vem a público, identificam os investigadores, usam ferramentas tecnológicas modernas. São investigações que têm de ser feitas no silêncio, no sacrifício, na abnegação e fora dos holofotes mediáticos.

Nesse caso, porque quiseram colocar o tema debaixo dos holofotes?

Principalmente por uma razão. pôr o foco nas vítimas, naquilo que é a consequência do terrorismo, o que pode acontecer ao nosso país e que só não aconteceu, em grande parte, graças ao trabalho das nossas forças e dos serviços de segurança. Ao colocar esse foco nas vítimas e nos profissionais, damos o alerta para a falta de mais meios.

A Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo precisa de meios? O diretor nacional disse que esta era uma área prioritária. Isso traduz-se em meios?

Precisamos de pessoas. Ponto final. Não vou falar em números concretos, pois estaria a dar informação útil aos criminosos. Mas precisamos de mais meios humanos e materiais.

Está prestes a começar um curso de novos 120 inspetores da PJ. Sabemos que os aguarda desde 2015, quando o concurso foi lançado. Estes novos inspetores vão suprir essas faltas?

Este concurso não vai colmatar a falta de inspetores. Vai atenuar apenas. E há uma componente muito importante na necessidade de abrir estes concursos de forma regular. Há uma cultura muito própria da instituição que precisa de ser passada de geração em geração. Estes novos cursos já estão a apanhar muita gente que está a reformar--se e há uma grande experiência, um grande conhecimento que tem que ser transmitido às novas gerações. E é isso que me preocupa particularmente. Que não se vá a tempo de fazer essa passagem de testemunho.

 

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