Comunicação Social

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 21 de maio de 2017

Na quinta-feira, o grupo de comunicação ao qual pertence este jornal decidiu pela publicação de um vídeo que relata uma agressão sexual a uma jovem.

 
Na quinta-feira, o grupo de comunicação ao qual pertence este jornal decidiu pela publicação de um vídeo que relata uma agressão sexual a uma jovem.
Nutro pela profissão de jornalista um grande respeito, porque acredito que o trabalho destes profissionais é um dos garantes da liberdade que hoje possuímos. Na era da informação, convém capacitar em cada palavra que se escreve, a definição de comunicar, informar, criar ruído ou simplesmente, vender conteúdo a todo e qualquer preço.
No que à minha pessoa diz respeito e aos FIC/PJ, por convivermos diariamente com violência suficiente para três vidas, dispensamos os vídeos de violações, atropelamentos ou amputações. Em suma, a violência gratuita.
Esta coluna, sempre possuiu um carácter independente da linha editorial do CM. Neste compromisso, tenho o dever de aqui manifestar o repúdio por este tipo de conteúdos, que em nada valorizam a missão do jornalismo. Os "clicks" não pensam na vítima, nos pais da vítima, nos familiares e na vitimização secundária.
Pretendo com isto chamar a atenção, para a necessidade de repensar a exploração comercial deste tipo de conteúdos, pois neste tipo de criminalidade, a agressão não decorre apenas do acto praticado.
 
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