Comunicação Social

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 30 de julho de 2017

É desumano quando se fala sobre as vítimas, sem discutir fenómenos.

O ofício mais antigo do mundo é olhar para o lado. Li esta frase, há algum tempo, num artigo de um jornal estrangeiro. Uma frase que recordo muitas vezes com convicções e outras tantas com desgosto. Ignorar o que o outro pode sentir com a nossa ação ainda que esta apenas tenha um objetivo político, tornou-se popular e vulgar. As "listas" dos falecidos na tragédia de Pedrógão ou simplesmente as declarações populistas de alguém que aspira a ter responsabilidades políticas.

Atacam-se estes temas com discursos corretos, maçadores e com horas de debate, completamente estéreis que apenas possuem o mérito de entediar. Sem consequências. Quem podia, não age sobre estas posições, porque não interessa, porque não é oportuno, porque "não é comigo".

É triste e desumano quando se fala sobre as vítimas, sem se pensar nas mesmas e sem discutir os fenómenos. É cobarde e vergonhoso não pensar nos sentimentos do outro ser humano, quando se opta por colocá-lo no circo mediático.

O foco está errado. Mas a mim o que me importa, não é o ruído dos que não pensam nos outros e procuram protagonismo a qualquer preço. O que a mim me importa é o silêncio e a vergonha dos que podem fazer qualquer coisa e decidem olhar para o lado.

 
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