Comunicação Social

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 29 de outubro de 2017

Estratégia planeada com antecedência levou ao corte de direitos.

Um dos elementos primordiais de controlo social é a distração. Desviar a atenção das massas, dos problemas provocados por decisões ou pela falta delas, mediante uma técnica de bombardeamento de entretenimentos e informações não confirmadas, impede o foco da atenção nos conhecimentos essenciais e nos objetivos definidos.

Podemos optar por decisores com estratégias a longo prazo ou por aqueles que através de habilidades apenas utilizam a emoção como forma de distração, de injetar ideias, medos ou induzir comportamentos.

A emoção bloqueia o raciocínio, e esta é uma forma de erro, de desgaste e bloqueio do sentido de crítica.

Os funcionários da PJ perderam nos últimos 15 anos, rendimentos, regalias, condições de trabalho e direitos fundamentais, através de uma estratégia gradual de corte de direitos.

Esta estratégia planeada com tanta antecedência teria provocado uma convulsão social se tivesse sido introduzida de um dia para o outro. Podemos pensar estrategicamente a longo prazo e esta é a resposta.

A questão, no entanto, é que me suscita reflexão.

Se houve capacidade de programar o dano, porque não houve capacidade de projetar a construção e o reforço de uma organização fundamental para a nossa democracia?

 

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