Comunicação Social

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 31 de dezembro de 2017

Justificações

Altas patentes que violam a lei querem mediatismo, subir na carreira e poder.

Permitam-me, que revele a minha inquietação com cada operação policial que ocorre no nosso país, que culmina com mortos e feridos, infelizmente de forma cada vez mais reiterada.

Permitam-me ainda que não aceite, que em todas as ações policiais em que algo anómalo acontece se coloque a culpa nos agentes no terreno, que posteriormente são investigados e algumas vezes condenados.

Os cargos superiores das instituições que planeiam e defendem operações desta natureza, apenas pretendem três coisas: mediatismo, ascensão na carreira e poder a qualquer custo.

Nestas três prioridades, há três omissões: A vida dos agentes (que não são soldados de um regime totalitarista) a vida dos cidadãos (ainda que suspeitos da prática de crimes), e a vida em Liberdade num Estado de Direito.

O cumprimento da Lei da Organização da Investigação Criminal, incontáveis vezes desrespeitada por pessoas com obrigações e responsabilidades no Estado, minimiza a possibilidade de que situações destas aconteçam, porque atribui de forma clara a cada força, ou serviço de segurança, a sua missão dentro de uma das valências de policia. A investigação criminal.

A importância de cada uma das forças e serviços de segurança no atual sistema de prevenção, deteção e investigação criminal é fundamental para a segurança e qualidade de vida existente na sociedade portuguesa.

Os casos crónicos de violação da LOIC que se registam - nalgumas situações comprometem gravemente a descoberta da verdade - apenas e só possuem o objectivo inicial de obter visibilidade na comunicação social, para uma tentativa de centralizar debaixo do mesmo dominio todas as valências policiais, através de um marketing populista e demagogo.

Objectivo final: mais poder e consequentemente maior controlo da investigação criminal e da Justiça.

Alguém ficaria tranquilo com justificações de comandantes do exército que mandavam os seus homens pilotarem os aviões da Força Aérea?

Meus senhores, cumpram a Lei e façam o melhor que podem dentro do objectivo comum de manter os cidadãos deste país seguros e livres. Não inventem e não precisam de justificar mortes.

Não se aceita que gente de responsabilidade viole a Lei e cada vez que alguém morre se desdobrem em justificações em que já pouca gente crê.

Às vezes dou por mim a acreditar que quando algo mau ocorre, as justificações das altas patentes não serão focadas nas operações, nem em terceiros ou em juízos de valor, mas sim na razão pelo qual os agentes envolvidos nas mortes vão para a prisão e essas mesmas altas patentes, que decidem de forma ilegal, continuam a ser promovidas e no seu caminho cego de poder pelo poder.

É extraordinário. Nunca aconteceu…

 

 

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