Comunicação Social

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 18 de fevereiro de 2018

Quem vive em regimes em que há liberdade, não consegue imaginar o que é a vida sob uma ditadura.

 

Quem vive em regimes em que há liberdade, não consegue imaginar o que é a vida sob uma ditadura ou num regime em que os contratos mais básicos de confiança são deitados fora como a água suja.

A genialidade maior de quem vive como nós, num pais livre e em liberdade, é saber que esta é tão importante e tão fundamental, quanto o ar que se respira.

Só percebemos a importância das necessidades mais básicas – os alimentos, a água, a energia elétrica – quando elas nos faltam.

Há sete anos atrás, por razões muito discutidas e pouco explicadas, os contratos de trabalho celebrados com as pessoas que decidiram dedicar a sua vida a trabalhar para os outros, foram rasgados.

Estas pessoas, viram os seus direitos esmagados por uma ditadura económica, em que muitas medidas ainda hoje são discutíveis. Tempos também, em nunca consentimos que nos colocassem quietos e de olhos no solo.

Viver e trabalhar para os outros e ver desprezados sete anos de vida, como se nem tivessem existido, foi muito para além do rendimento indevidamente espoliado a esses profissionais. Tocou diretamente na sua dignidade e sentido de justiça.

Na PJ, não abdicámos nem abdicaremos de trabalhar para a liberdade.

Também não renunciaremos ao direito de recuperar esse pedaço de vida.

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