Comunicação Social

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 01 de abril de 2018

Quantos de vós trocariam a vida por uma coroa de flores?

Arnaud Beltrame, um polícia francês que se ofereceu para trocar de lugar com uma mulher refém de um louco, morreu.

Gostaria de saber um dia, até onde vai o dever de cada um dos profissionais das PJ e das outras forças e serviços de segurança?

A troco de um salário decide-se avançar para a morte, pelo dever?

O protocolo posterior, resulta apenas em meter uma cara triste e mandar comprar a coroa de flores para a fotografia.

Trocariam a vossa vida por uma coroa de flores?

Quem deve o quê a quem?

Uns dias depois dos incêndios de Pedrógão, um amigo mostrou-me uma fotografia. Um carvalho, brotava, verde de força rasgando sozinho o negrume daquele cenário. Num mundo cinza, alguns rasgam a falta de esperança com centelhas de humanidade.

A um longo percurso de dedicação à profissão e à pátria, pagam-nos com poucos recursos, salários ridículos e dever… porque a foto a isso obriga.

A foto ao lado da coroa de flores. A que exige tristeza. E uma gravata preta.

Em tempo de Páscoa, recordamos que Cristo deu a sua vida por nós.

Quantos de vós se levantariam da cama para dar a vossa por um desconhecido?

Nestes dias em que se compromete tudo e todos por um punhado de clicks e em que a verdade pouco importa, estaremos cá nós, para não deixar esquecer o que é importante.

 

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