Comunicação Social

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da manhã, 27 de maio de 2018

O futebol ocupa hoje o espaço mediático de uma forma nunca vista.

Agora que já captei a atenção do leitor, gostaria de vos alertar para o facto de que na passada sexta feira se celebrou o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas.

Segundo um relatório da Missing Children Europe, uma em cada 5 crianças desaparecidas nas linhas de atendimento de 32 países, enfrentaram situações de violência, abuso, negligência e exploração.

A Polícia Judiciária investiga os desaparecimentos em Portugal. Entre os casos mais mediatizados, entre falhas dos mais variados quadrantes e opiniões pessoais sobre teorias nunca comprovadas, entre o choro e o desespero de pais mortos por dentro e o desgaste de quem conduz investigações desta natureza, há algo que não muda há cerca de 20 anos:

As condições de trabalho do pessoal da PJ e o número cada vez menor, de investigadores desta instituição.

No que respeita a crimes que envolvem crianças, o investigador da PJ desdobra-se quase sempre num esforço desumano de tentar chegar a conclusões com as condições que possui.

Com os sucessivos alertas que foram dados, principalmente nos últimos dez anos, sobre estas dificuldades, será a responsabilidade de alguns insucessos de quem efetua as investigações?

 

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