Comunicação Social

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da manhã, 12 de agosto de 2018

O Japão é um país que assumiu os terremotos como um fenómeno que assola o seu território periodicamente. O mesmo acontece com os países do sudoeste asiático em relação às inundações ou com regiões da américa central e norte relativamente aos furacões.

Em Portugal não há incêndios. Segundo alguns tecnocratas, em Portugal tudo corre dentro da normalidade. Para estes, os fogos, a evidente má gestão, a descoordenação e em muitos casos, o caos e a ineficácia, não existem.

Portugal é um país de fogos e de incêndios. Não são a exceção, não são raros, não são pontuais.

Portugal arde todos os anos e todos os anos as discussões “ad nauseam” sobre os eucaliptos e sobre o ordenamento do território não são mais que desculpas para um problema crónico, que está a ser tratado por pessoas que apenas distribuem responsabilidades e culpas, face à ineficácia, carência dos meios e à incompetência.

No verão, o português tem que contar com os repetidos cenários de lágrimas, de pessoas abandonadas à sua sorte e que apenas contam com os heróis de sempre nestas alturas. Os Bombeiros.

Botox político num país velho, cansado e que se habituou a não prevenir absolutamente nada. Remedeia algumas coisas... tardiamente e a más horas.

 

 

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