Membro fundador do Conselho Europeu dos Sindicatos de Polícia

12 de maio de 2019

“ O homem é um cadáver adiado”, esta frase cuja autoria é atribuída a Fernando Pessoa, é uma demonstração única e fria de que somos finitos e temos um prazo de validade, ou pelo menos o nosso corpo. Os discursos políticos, ou de alguns políticos, colocam a dúvida no que o poeta assumiu como uma verdade irrefutável. A vida das pessoas de hoje parece contar pouco.

Falamos de dívidas e de décadas como se ninguém morresse entretanto. Como se fossemos imortais e jovens para sempre. Como se com um interruptor pudéssemos “congelar” a vida.

Entretanto os Salgados, os Bava e os Berardos desta vida, vão às comissões de inquérito gozar com a dívida de sangue que têm para com os portugueses.

As presentes gerações, percebe-se, parecem já estar condenadas com base em decisões tomadas há anos e em adiamentos sucessivos para a resolução de situações críticas. O que me preocupa, já não é a minha geração de investigadores da PJ. Estes apenas terão consolo no sentimento de nojo de quem quase destruiu o nosso país e assassinou de forma repugnante o futuro de gerações.

Hoje o que verdadeiramente me preocupa é a indecisão e o adiamento para “amanhã” do que é urgente resolver hoje, porque já deveria ter sido resolvido há pelo menos 10 anos.

Esperemos que seja desta.

 

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