Comunicação Social

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 16 de julho de 2017

Honra e dever não são apenas palavras vãs e vazias.

Contei os meus anos e descobri que deverei ter menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Espero manter o discernimento, o critério, a inquietação e os princípios com que fui educado, no resto do tempo que andarei por aqui.

A consciência do finito permite que sejamos livres, mas sempre com base na consideração pelo outro, tentando cumprir diariamente o nosso dever e nunca deixando que alguém saia da nossa presença sem ser uma pessoa melhor e mais feliz. Estes princípios estão todos os dias presentes em grande parte dos investigadores da PJ. Honra e dever não são palavras vãs e vazias. Têm algo de muito nosso. Muito PJ. Queremos um país melhor, mais justo, mais igual e mais livre.

Lutamos todos os dias contra os velhos "fantasmas" da ditadura, bem vivos na lembrança de muitos. Acabar com essas más memórias passará indubitavelmente pelo respeito aos órgãos de soberania e pela presunção da inocência de qualquer concidadão.

Destruir publicamente a honra de pessoas ou instituições, com base em factos por provar ou apenas porque estes são arguidos em processos-crime, é só por si um princípio que apenas assenta como uma luva aos que não conseguem viver bem com a Liberdade e com a Justiça...

 

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 23 de julho de 2017

Exceção à lei geral foi um justo reconhecimento à nossa missão.

No dia 19, procedeu-se à correção de uma situação de profunda injustiça que mantinha a organização Polícia Judiciária manietada a uma arquitetura legislativa conflituante com o superior exercício das suas funções soberanas.

É justo reconhecer aos grupos parlamentares na Assembleia da República que na atual legislatura, após escutarem os fundamentos da Direção Nacional da ASFIC/PJ, construíram e votaram favoravelmente para que a exceção à Lei Geral dos Trabalhadores da Função Pública fosse uma realidade.

Escutaram a voz dos profissionais da PJ e vincularam-se na promessa de destacar a instituição, tendo em conta a exigência e penosidade da sua missão e alcance do serviço público que realiza ao País.

A exceção à LGTFP foi o justo reconhecimento profissional e moral às mulheres e homens da PJ que nunca perderam o foco no superior interesse da Nação e na realização da Justiça.

Estamos assim prontos para a necessária revisão à Lei Orgânica da PJ e aos estatutos profissionais que urge reavaliar e redimensionar, para uma PJ voltada para o futuro, que cumpra e faça cumprir as leis da República, e que se destaque, como sempre assim foi, num serviço elevado e meritório aos nosso concidadãos.

 

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 06 de agosto de 2017

É urgente a abertura de novos concursos para inspetores.

Com a época estival, os encargos para a PJ aumentam em dimensão, consequência direta do turismo e da necessária proteção dos turistas que visitam o nosso país. Há anos que a ASFIC/PJ tem vindo a alertar e a pedir o reforço dos meios humanos para a instituição responsável pela prevenção e investigação criminal dos fenómenos criminais mais graves.

O funcionamento regular das instituições do Estado, depende em grande parte da motivação e do empenho dos seus funcionários. Na PJ, os funcionários de IC estão preparados e dispostos a lidar com todo o tipo de adversidades, inclusive com as restrições financeiras e de progressão de carreira que lhes foram impostas há alguns anos.

No entanto, há algo que fere de morte um profissional desta casa. A impossibilidade, ou incapacidade de fazer mais e melhor, consequência direta da falta de pessoas.

Uma instituição desta natureza, fundamental para o Estado português, não pode ficar refém de um concurso de ingresso a cada 3/4 anos. É urgente e primordial a abertura de novos concursos de admissão de inspetores.

A segurança e o turismo são dos principais tesouros nacionais. Investir na PJ é investir neste tesouro.

 

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 30 de julho de 2017

É desumano quando se fala sobre as vítimas, sem discutir fenómenos.

O ofício mais antigo do mundo é olhar para o lado. Li esta frase, há algum tempo, num artigo de um jornal estrangeiro. Uma frase que recordo muitas vezes com convicções e outras tantas com desgosto. Ignorar o que o outro pode sentir com a nossa ação ainda que esta apenas tenha um objetivo político, tornou-se popular e vulgar. As "listas" dos falecidos na tragédia de Pedrógão ou simplesmente as declarações populistas de alguém que aspira a ter responsabilidades políticas.

Atacam-se estes temas com discursos corretos, maçadores e com horas de debate, completamente estéreis que apenas possuem o mérito de entediar. Sem consequências. Quem podia, não age sobre estas posições, porque não interessa, porque não é oportuno, porque "não é comigo".

É triste e desumano quando se fala sobre as vítimas, sem se pensar nas mesmas e sem discutir os fenómenos. É cobarde e vergonhoso não pensar nos sentimentos do outro ser humano, quando se opta por colocá-lo no circo mediático.

O foco está errado. Mas a mim o que me importa, não é o ruído dos que não pensam nos outros e procuram protagonismo a qualquer preço. O que a mim me importa é o silêncio e a vergonha dos que podem fazer qualquer coisa e decidem olhar para o lado.

 

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 13 de agosto de 2017

Toda a vaidade é perecível. A gula securitária e a ostentação também.

O rei Nabucodonosor, senhor da Babilónia, ostentava os seus escravos e as suas riquezas com uma vaidade incomparável. Um desses escravos, chamava-se Daniel, era o mais inteligente e o mais generoso.

Numa manhã, o rei teve um sonho assustador, que se dissipara à luz do dia, sem saber como findara. De seguida mandou chamar os sábios do reino e exigiu-lhes que lhe dissessem como terminava o sonho. Sem sucesso. Por mais sábio que se seja, ninguém pode adivinhar os sonhos de outra pessoa.

Daniel, no entanto, soube da intenção do rei e pediu a Deus que lhe mostrasse o sonho.

Na madrugada seguinte, Daniel, mal acordou, pediu para ser recebido por Nabucodonosor. Sabia o que o Rei havia sonhado.


- Vós vistes no vosso sonho uma estátua colossal com a cabeça moldada em ouro maciço, os braços e o peito de prata, o ventre de bronze, as pernas de ferro e os pés de barro!

Recordo-me que atiraram uma pedra à estátua – respondeu o Rei - a pedra atingiu os pés de barro, a estátua estremeceu e desmoronou- -se no chão.

Toda a vaidade é perecível. A ostentação e a gula securitária também, e neste campo, Portugal tem gigantes com pés de barro e por muito que mostrem uma cabeça feita de ouro, têm os pés feitos da mais fina argila.

 
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