Comunicação Social

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 21 de maio de 2017

Na quinta-feira, o grupo de comunicação ao qual pertence este jornal decidiu pela publicação de um vídeo que relata uma agressão sexual a uma jovem.

 
Na quinta-feira, o grupo de comunicação ao qual pertence este jornal decidiu pela publicação de um vídeo que relata uma agressão sexual a uma jovem.
Nutro pela profissão de jornalista um grande respeito, porque acredito que o trabalho destes profissionais é um dos garantes da liberdade que hoje possuímos. Na era da informação, convém capacitar em cada palavra que se escreve, a definição de comunicar, informar, criar ruído ou simplesmente, vender conteúdo a todo e qualquer preço.
No que à minha pessoa diz respeito e aos FIC/PJ, por convivermos diariamente com violência suficiente para três vidas, dispensamos os vídeos de violações, atropelamentos ou amputações. Em suma, a violência gratuita.
Esta coluna, sempre possuiu um carácter independente da linha editorial do CM. Neste compromisso, tenho o dever de aqui manifestar o repúdio por este tipo de conteúdos, que em nada valorizam a missão do jornalismo. Os "clicks" não pensam na vítima, nos pais da vítima, nos familiares e na vitimização secundária.
Pretendo com isto chamar a atenção, para a necessidade de repensar a exploração comercial deste tipo de conteúdos, pois neste tipo de criminalidade, a agressão não decorre apenas do acto praticado.
 

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 28 de maio de 2017

O Governo foi mal assessorado e criou um sistema que já existia.

Durante esta semana, foi criado mais um departamento governamental, debaixo do controlo da Secretária-Geral do Sistema de Segurança Interna – PUC/Ponto Único de Contacto – para gáudio dos que querem um sistema judicial controlado e um Estado cada vez mais policial e de índole securitária. Este departamento servirá supostamente para partilhar a informação criminal, dos sistemas EUROPOL e INTERPOL (entre outros), informação que diz respeito, na grande maioria, à investigação criminal, especialmente aos crimes investigados pela PJ.

O Governo foi mal assessorado, criou um sistema que já existia e que era totalmente independente do poder executivo. Este Ponto Único de Contacto (PUC) projeta-se como um «balcão único», em conformidade com as «Orientações para a criação de um ponto único de contacto para o intercâmbio internacional de informação entre serviços de polícia».

Resta informar que a PJ possui um instrumento histórico cuja função é exatamente a mesma.

A orgânica deste "balcão" ainda não saiu. Esperamos sempre o melhor, mas dentro de exatamente um ano, cá estaremos para fazer o "balanço" deste sistema e para avaliar as consequências que o mesmo teve nas investigações da PJ.
 

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 11 de junho de 2017

O Sindicato Profissional de Polícia (SPP) espanhol concluiu na passada sexta feira o seu XIX Congresso Nacional.

O Sindicato Profissional de Polícia (SPP) espanhol concluiu na passada sexta feira o seu XIX Congresso Nacional.

Neste evento, a ASFIC fez-se representar com uma delegação, pois para além da estreita e já longa relação institucional, o SPP esteve conjuntamente com a ASFIC em várias frentes estratégicas, como por exemplo na génese da criação do Conselho Europeu dos Sindicatos de Polícia.

No decurso dos trabalhos foi possível constatar que, os problemas com que os companheiros espanhóis se deparam, são em tudo similares aos problemas vividos pela PJ. Problemas esses que dificultam o cabal cumprimento da sua função.

Desde inconsequentes violações das suas competências de investigação por parte de outros OPC’s, passando pela estagnação salarial com mais de uma década ou pela falta gritante de recursos humanos, são inúmeras as dificuldades sentidas e em tudo semelhantes às da PJ.

No entanto, estes companheiros, «viram-se acompanhados pela tutela na sua recente revisão estatutária.

Por cá, acreditamos que até final do ano, a revisão do nosso diploma matriz – já com dezassete anos - será também uma realidade.

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 04 de junho de 2017

Existem assessorias corporativistas de apologia catastrófica.

Esta semana, o Instituto para a Economia e Paz [IEP] – dedicado ao estudo sobre o desenvolvimento humano - publicitou através do seu relatório internacional anual - intitulado "Global Peace Índex" [Índice Global de Paz] - a subida de Portugal para a terceira posição como País mais seguro do Mundo, num "ranking" de 163 Países.

No que concerne à Segurança, a nível mundial, Portugal tem apenas à sua frente dois Países: a Islândia e a Nova Zelândia.

Atualmente, Portugal é o País mais seguro da União Europeia, ou seja, para além de múltiplos indicadores, muito por via do empenho e organização das suas Forças e Serviços de Segurança (PJ, GNR, SEF, PSP, SIS, AMN), que constituem o atual Sistema de Segurança Interna.

Perante este facto, a questão que se coloca é: por que razão se impõe o desejo de alterar o Sistema de Segurança Interna português, ao nível das competências de Serviços como a PJ e o SEF, a título de exemplo, se já demonstramos que Portugal funciona bem e é exemplo mundial no que concerne à gestão da segurança dos seus cidadãos?

Não se vislumbra outra resposta que não a existência de assessorias corporativistas de apologia catastrófica que incentivam, pelo medo, a alterar algo que já funciona.

Ricardo Valadas, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Correio da Manhã, 18 de junho de 2017

As próprias populações residentes devem empenhar-se em evitar que os fogos aconteçam.

Encontramo-nos actualmente já na época estival e no 2.º quadrimestre do ano, em que as temperaturas elevadas e a falta de precipitação potenciam a ocorrência e a propagação de incêndios florestais no nosso País.

Dita-nos a experiência e a análise de situações passadas que a prevenção e os cuidados redobrados, nestes casos, é o factor essencial para se evitarem muitos dos incêndios florestais e rurais.

A Polícia Judiciária, que detém a competência para a investigação criminal dos crimes de incêndio, tem tido desde sempre a missão de recolher prova e identificar os autores de múltiplos incêndios florestais e rurais, cuja sua ocorrência determina no limite, a perda de vidas humanas e de habitações e bens resultantes do trabalho de uma vida.

Importa acima de tudo, investir-se na prevenção deste tipo de criminalidade, prevenção essa que começa com as próprias populações residentes.

Estejam atentos a movimentações estranhas e pouco claras de indivíduos que manifestem comportamentos que podem indicar serem incendiários, ou seja, que se preparem para atear fogo a um local e reportem de imediato ás autoridades policiais locais.

A vossa colaboração e empenho é também essencial para o nosso trabalho.

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