Algures na infância, a maioria de nós jogou à cabra-cega. Uma criança, de olhos vendados, tenta encontrar as outras pelo tato e audição. Regras claras e objetivas: procurar sem ver.
Na Polícia Judiciária, recuperámos este jogo, mas sem a diversão de outrora. Na colocação dos novos Coordenadores, os candidatos também concorreram às cegas: sem conhecerem previamente quantas vagas existiam nem a respetiva distribuição geográfica. Só no final descobriram o destino. Tudo em nome do que seria “melhor para o serviço”. Afinal, de que serve trabalhar para ficar mais bem classificado?
Quando os critérios de colocação não são conhecidos, a meritocracia dá lugar à negociata e a transparência à dúvida. Salvaguardar preferências geográficas é positivo, mas não substitui regras claras sobre as vagas disponíveis e a forma como são preenchidas.
Numa instituição que exige objetividade, rigor e fundamentação em todas as decisões que toma para os cidadãos, espera-se exatamente o mesmo quando decide a carreira dos seus profissionais. A confiança também se constrói assim: com regras conhecidas antes de o jogo começar, e não apenas quando a venda já caiu.

