As afirmações públicas ignorantes viraram moda. Interessa mais o tom e a imagem do que o conteúdo, principalmente nas redes sociais. Por isso, o sindicalismo atravessa um momento difícil: é conotado de ‘esquerda’, como se defender os trabalhadores não estivesse acima da dicotomia direita/esquerda. Tal é o individualismo da sociedade, que a defesa coletiva de interesses é vista como farsa para alavancar interesses pessoais. Também compete com movimentos espontâneos, sem rosto nem responsabilidade, fundados no princípio ‘sejamos realistas: vamos pedir o impossível’.
As Associações Sindicais, ao contrário, têm uma estrutura, são democraticamente eleitas, transparentes e escrutináveis. Têm projetos e cadernos reivindicativos claros e são interlocutoras de uma carreira – não pontualmente, mas sempre.
Esta tutela (Ministério da Justiça), rompendo uma longa tradição, escolheu ignorar os representantes dos trabalhadores. Quando a tutela fecha a porta à representação estruturada, entrega o palco a quem grita mais alto nas redes e só presta contas a si mesmo. Isto enfraquece a negociação coletiva, fragmenta a representação e transforma o diálogo sobre questões estruturais em ruído de fundo.

