Depois da tempestade…

Os 305 milhões de euros do orçamento da PJ não são despesa

“As notícias da minha morte são manifestamente exageradas”, escreveu Mark Twain. Na PJ, a frase aplica-se a quem, interessado nos despojos das suas competências, insiste em propagandear o seu declínio. Na Operação Hermes, no âmbito de processos da Procuradoria Europeia, a Polícia Judiciária demonstrou a sua capacidade: 248 buscas, 740 elementos da PJ, 212 da Autoridade Tributária e 151 militares da GNR. Resultado: 39 detidos em Portugal e uma fraude ao IVA que terá lesado o Estado em, pelo menos, 155 milhões de euros.

Numa altura em que o Orçamento do Estado para 2027 prevê uma redução da verba destinada à saúde, este montante seria precioso para preservar serviços essenciais do SNS e garantir melhores respostas aos cidadãos. Combater a fraude fiscal é também defender os recursos de que o Estado precisa para cumprir as suas funções. Os 305 milhões de euros do orçamento da PJ não são despesa: são investimento na investigação criminal, no Estado de direito e na defesa do erário público.

Hermes, associado aos comerciantes e aos ladrões, dá nome à operação. A ironia é evidente: quando tentam lesar o Estado, é a PJ que o defende. Depois da tempestade… vem a PJ.