A corrupção é o resultado de um meio opaco de decisões nunca explicadas que oneram o erário público. Que ninguém tenha dúvidas: a transparência, a publicidade da fundamentação das decisões, é o melhor antídoto da corrupção. Em Portugal, ao contrário de outros países, não é endémica nem está instalada nos poderes do Estado, mas existe e causa prejuízos avultados. Daí a importância da luta pela transparência, pela publicidade – com a óbvia salvaguarda de questões pessoais privadas e de segredos comerciais – em todos os processos concorrenciais.
A Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério da Justiça deveriam pugnar e ser exemplo de total transparência. Mas tal não acontece, quando escolhem esconder-se no manto diáfano da proteção de dados pessoais (o nome…) das listagens de Inspetores que solicitaram a passagem à disponibilidade ou daqueles que nela se encontram, ou listagens de preferências de colocação geográfica, ou tantos outros elementos que deveriam estar à distância de um clique. Estamos certos de que os tribunais terão outro entendimento e que os interessados terão acesso aos elementos. É caso para dizer que bem fala Frei Tomás: faz o que ele diz, não faças o que ele faz.

