Mau serviço

O que acontece à qualidade da formação? Pois, inevitavelmente, piora

Esta semana iniciou mais um curso de formação de Inspetores (48.º CFI) e de Especialistas de Polícia Científica de Inspeção e Identificação Judiciária.

Imagine um restaurante, de qualidade, que só serve 100 refeições por dia. Num determinado dia, aceita um serviço para 150 refeições. Em vez de contratar mais cozinheiros e adquirir mais produtos, mantém tudo igual. Para rentabilizar, acrescenta, água à sopa e arroz ao já reduzido pato. O que acontece à qualidade das refeições? Inevitavelmente, piora.

Agora, temos a escola de uma polícia de investigação, dimensionada para 100 formandos. A certa altura, aceita formação para 180, sem disponibilizar mais formadores (porque sem um subsídio de formação não é atrativo). Mantém as infraestruturas de formação e de apoio (apesar da ASFIC/PJ ter apresentado uma alternativa) e não altera a duração total do curso. O que acontece à qualidade da formação? Pois, inevitavelmente, piora.

Também neste caso, quem perde são os ‘clientes’, ou seja, toda a sociedade, e, inevitavelmente, a própria instituição.

São as inevitabilidades que, havendo vontade, poderiam ser evitáveis.