Há mais de 20 anos, na sequência de uma reestruturação levada a cabo na então Diretoria de Lisboa, o seu diretor não se coibiu de regozijar-se publicamente pela excelente transformação realizada no departamento, após, disse ele, ter conduzido extenso diálogo com os trabalhadores.
Nessa altura, houve um jovem inspetor sindicalizado que teve a ousadia de retorquir que não tinha sido consultado, nem ninguém da sua brigada, e que não conhecia quem o tivesse sido, pelo que tal afirmação só podia ser falsa.
Pois é, uma vez que não há prepotente que não se ache de ideias brilhantes e amado pelo povo, contrariar o afirmado só poderia dar origem a um processo disciplinar. Foi isso mesmo que aconteceu.
Volvidas duas décadas, o inspetor continua por cá, da direção da altura já ninguém se lembra, e se do episódio algo resultou para as direções seguintes é que, para parecerem democráticas, têm mesmo de falar com os trabalhadores. Tal resulta em melhores decisões, menor litigância, e mesmo que nada altere ao plano inicial, pelo menos é demonstrativo de respeito, e isso também é muito importante.