No outro lado da porta

Integridade física entra na equação no cumprimento do dever

Mesmo nas buscas ou detenções cuidadosamente planeadas, há circunstâncias imprevisíveis. Monitorizar suspeitos e locais 24/7 para garantir, com segurança, quem está do outro lado da porta e em que condições é materialmente impossível de aplicar de forma generalizada.

O estudo do perfil do visado, da família e do contexto, designadamente através do acesso (condicionado e disperso) a bases de dados e a ocorrências recentes, ajuda a preparar a intervenção, mas o risco é sempre ‘osso do ofício’. Há diligências previsivelmente de baixa perigosidade, mas em que a ameaça surge súbita e inusitada. Reduzir o risco não pode equivaler a reduzir a iniciativa investigatória nem a eficácia da resposta criminal. Também sucede, cada vez mais, que entre o pedido de uma busca pelo OPC e a decisão da sua promoção ao Juiz, pelo MP, decorre tanto tempo que o cenário esperado se altera (às vezes a própria morada), pondo-se até em causa a sua pertinência. Os polícias sabem que a integridade física – e, em casos raros, a própria vida – entra na equação no cumprimento do dever. Acontecimentos recentes em Braga lembram-no bem. Desejamos uma rápida recuperação física e psicológica de todos os envolvidos.