No dia em que deixarmos a Polícia, os títulos desaparecerão e, com eles, toda a importância que achávamos que tínhamos. Seremos considerados arcaicos e ultrapassados, e o mundo em rápida mudança dará razão a quem assim o entender. O que aprendemos em décadas de pouco servirá, e apaziguar-nos-á a noção de que, para renovar ideias, é necessário que se renovem pessoas nos cargos.
No dia em que deixarmos a Polícia, vamos perceber o que é mesmo importante: a família, os amigos (incluindo os que fizemos no serviço), o legado que deixamos e que nos fará ser recordados por aqueles que nos conheceram. Podemos ser bem lembrados por um único ato de valor, por algo verdadeiramente digno de apreço ou apenas por termos demonstrado caráter numa altura crítica, defendendo o correto mesmo que à nossa volta tenha faltado apoio. Será a excecionalidade do momento que forjará histórias que serão repassadas por quem cá fica, onde uns serão heróis e outros assumirão a personagem do vilão.
Ao fim de uma vida de trabalho, apenas restarão histórias. Devíamo-nos importar que nelas se dissesse que fomos sempre pela Justiça e que a iniquidade nada quis connosco.