Suspeições

A PJ não tem ‘donos’. Difundir essa ideia é perigoso

A propósito do escrutínio mediático de atos praticados pelo atual Ministro da Administração Interna enquanto Diretor Nacional da Polícia Judiciária, lançou-se um manto de suspeição sobre a própria instituição. Intencional ou não, generalizar é injusto e inadmissível.

A PJ é composta por servidores públicos que, diariamente, cumprem a Lei e servem a Justiça com dedicação. Apure-se se houve violação de alguma norma. Investigue-se até às últimas consequências. Corrija-se o que estiver errado. Para isso, há inquéritos dirigidos pelo MP e mecanismos próprios, como a Direção de Serviços de Inspeção e Disciplina, podendo ainda recorrer-se à inspeção do Ministério da Justiça.

Mas a PJ não tem ‘donos’. Difundir essa ideia, além de ignorante, é perigoso. Cada perito é soberano na sua avaliação, cada especialista de polícia científica atua com rigor técnico, cada inspetor investiga com autonomia, integrado e apoiado em brigada e estas em secções.

Quem dirige não decide nos processos; quem investiga não pratica atos de gestão. O histórico demonstra que as más práticas são identificadas e tratadas. Não se confunda a árvore com a floresta. As pessoas passam, a instituição permanece.